O despontar das folhas

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A chuva traz-me uma sensação de tristeza (o céu sombrio e cinzento que nos oculta o seu azul tão bonito) mas simultaneamente a esperança de que a natureza, tão sedenta de água, possa finalmente saciar-se.

As primeiras chuvas trazem-nos uma segunda primavera. Não temos as flores a desabrochar mas temos as folhas de algumas árvores (e as vinhas que lindas!…) a pintar a paisagem de várias tonalidades de verde, amarelo, vermelho e castanho.

O despontar das folhas

E que maravilha que é ver os campos semeados a despontar as suas primeiras folhas. Num terreno onde só se via terra árida, começam devagarinho a aparecer uns “cabelitos” verdes para, passados poucos dias, estar completamente verdinho.

E que aroma fresco o campo nos dá após uma chuvada!…

Quantas vezes saí para o campo em dias de chuva… calçava as botas que estivessem disponíveis (se não tivesse do meu número, calçava outras que servissem, muitas vezes 3 e 4 números acima e até as botas bacalhoeiras que o meu pai tinha), vestia o fato de oleado com o capucho na cabeça e lá saía com a ilusão de que não havia chuva que me molhasse.

Que ingenuidade!… Mal começava a soprar o vento, a chuva molhava-me a cara e começava a escorrer pelo pescoço, o vento tirava-me o capucho da cabeça e a chuva aproveitava logo para me molhar o cabelo, eu levantava os braços para puxar o capucho e a chuva entrava-me pelas mangas.

Chuva… venha ela – a natureza agradece – importa é que eu esteja ao abrigo. 🙂

6 Comments

  1. Obrigada a todos pelos simpáticos comentários 🙂

  2. Gostei do texto. Uma forma muito escorreita de a conter. Gostei da sua descrição, quando diz que o vento lhe atirava o capucho para tráz e molhava-lhe a cara, quamdo tentava puxar o capucho para a frente entrava-lhe a água pelas mangas e ficava com os braços molhados. Gostei do pormenor das botas bacalhoeiras do Pai. Gostei da sua doçura quando escreve. Parabéns. O texto mostra-nos a inocência de quando somos crianças. E mostra ainda, como é sensível aos “Milagres ” da Mãe Natureza.

  3. A chuva é irmã do Sol e irmã da Vida,
    A chuva é o espinho de uma bela rosa, que para ser rosa tem de ter espinhos.
    Da chuva se faz a seiva, da chuva nasce tudo o que cresce na natureza, bendita chuva.

  4. … tão natural como a tua sede! Sede de esperança de felicidade de sensações etc. Todos nós a procuramos… Também a natureza fonte de vida. Por isso nós aqui estamos, e tu também! Deixaste-nos estas belas palavras, que nos fazem recordar momentos sem as quais já teríamos esquecido muito da nossa vida. Recordar é viver. Lindas e belas palavras… continua porque elas simplesmente aproximam as pessoas e nos fazem sentir bem. Beijinho.

    Fernandes

  5. Amiga
    Não podia deixar de mencionar as pinturas lindas que tens no teu blog…
    Já as tinha visto… quem as pintou é uma profissional excelente… África, África, África.
    E pensar que um dia eu estive lá… fico emocionada.
    Beijinhos amiga

  6. Lindo este comentário…

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