Falar sobre Deus?

| 3 Comments

Quem sou eu para falar sobre Deus? Eu, uma simples gota num imenso oceano.

Eu conheço-O? Não sei! Já ouvi falar Nele? Sim, já ouvi e continuo a ouvir. Já falei Dele? Sim, também já falei Dele. Fui, inclusive, catequista de crianças quando estas começaram a aprender a doutrina da Igreja (tinham 6 anos).

Bom, então fui a voz de Deus para essas crianças, já que transmiti os Seus ensinamentos. Sim, eu sei! Transmiti o que me transmitiram, o que vinha nos livros, que ainda hoje são a fonte onde os católicos vão beber.

Mesmo assim, existem várias formas de O dar a conhecer. Quando ensinamos, seja o que for, a outra(s) pessoa(s) damos um bocadinho de nós, passamos a mensagem como a sentimos, como nós a vemos. (Lá diz o ditado: quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto.)

Por isso é que, cada um, tem uma imagem, um pensamento e um sentimento próprio relativamente a Deus. Nem a Igreja tem uma só palavra. Podemos verificar na Bíblia, por exemplo no Novo Testamento, onde são relatados os ensinamentos de Jesus, o filho de Deus, que está dividido em quatro evangelhos, ou seja, quatro visões diferentes dos mesmos acontecimentos. E outros evangelhos existem (que não estão na Bíblia), mas que também são diferentes destes quatro que foram eleitos.

Porque é que os missionários propagam uma mensagem tão diferente da dos padres “que nunca saíram do seu mundo paroquial ou diocesano”?…

Aconselho a ver o filme “A Missão” (um filme de Roland Joffé com Robert De Niro e Jeremy Irons) que, na minha opinião, traduz de uma forma excelente as diferenças da voz de Deus no seio da Igreja Católica, no século XVIII.

Para mim, Deus é o inalcançável, é a plenitude do Bem, do Amor, da Dádiva e da Entrega. E, se me perguntam, “se Deus é Amor porque é que existem guerras em Seu nome?”, eu respondo que quem fez a guerra foram os homens, que O vendo de forma diferente, não conseguem aceitar/respeitar as diferenças e viver em harmonia com elas.

Porque limitam a religião a uma questão de moralidade, o Bem e o Mal, e quem não estiver do seu lado (que é o único que poderá estar no lado do Bem) então é alvo a abater, porque está no lado do Mal. Que responsabilidade tem Deus nestas guerras? Os homens têm vontade própria e agem de acordo com ela.

 

Há um texto de Khalil Gibran, no livro “O Louco”, que diz assim:

“O DEUS do Bem e o Deus do Mal encontraram-se no alto da montanha.
O Deus do Bem disse: – Bons dias, irmão.
Mas o Deus do Mal não respondeu.
O Deus do Bem tornou a dizer: – Hoje estás de mau humor.
O Deus do Mal disse então: – Estou sim, porque ultimamente muitos me confundem contigo e chamam-me pelo teu nome, e comportam-se comigo como se fosse tu, e eu não gosto disso.
O Deus do Bem disse: – Também a mim me confundiram contigo e me chamaram pelo teu nome.
Ao ouvir estas palavras o Deus do Mal seguiu o seu caminho, maldizendo a estupidez dos homens.”

Deus tem voz? Tem! Muitas!
Somos nós, cada um de nós, a Sua voz.

3 Comments

  1. Keta, gostei do seu texto. Trocas e trocadilhos que nas nossas cabeças fazem sentido. É muito complexo falar de Deus. No meu entender é assunto para se tratar com “PINÇAS”. Cada um tem a sua Fé em algo e pode dar-lhe o nome que quizer. Mais palavras para quê?! ficou tudo dito. Um beijinho para a Keta.

  2. Não é Fácil falar sobre o desconhecido, o imaterial… o além! Muito menos da verdade da fé.
    Nestas simples palavras, sinto que tens o conhecimento da causa, pela vivência, pelo contacto, pelas pessoas e pela vida que tu nos trazes aqui. Leva-me (penso que nos Leva) a pensar sobre isto e o que na realidade “Deus” é para nós, e para a humanidade.
    Na verdade Ele está em nós, em cada um de nós, sejamos ou não crentes, somos nós que nos compete a escolha do bem e do mal independentemente da origem, da raça da cultura… e acreditar que há um além para além da vida…
    Gostei das tuas simples e convictas palavras que nos fazem pensar “de uma outra forma” … a vida! Pensar nisto, faz-nos viver e sentir com mais força para continuar…
    Beijinho
    Fernandes

    • É verdade que, por vezes, não é fácil falar sobre Deus. É que cada vez que falamos Dele, estamos a transmitir um pouco daquilo que somos: é a forma como O “vemos”, como O acolhemos, como O entendemos e como é a nossa fé. Neste artigo eu tentei dar uma visão mais geral e não tocar muito a parte pessoal. Quis que quem lesse o artigo reflectisse através deste pequeno monólogo.

Deixar uma resposta

Required fields are marked *.