Não rasgues o passado

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O passado é a nossa bagagem de vida. Nela transportamos todos os nossos avanços e recuos, todos os sorrisos, todas as lágrimas, todos os rostos, todos os cheiros, todos os sabores, todos os amores e desamores, todos os sentimentos. O passado é o recheio das nossas vidas.

Não rasgues o teu passado

Não rasgues o teu passado
(Foto © Catarina Correia de Sampaio)

É o passado que constrói o nosso presente e (talvez) o nosso futuro. O nosso presente não é mais do que o somatório do nosso passado, a soma do que aprendemos ao longo da caminhada, a felicidade vivida, a não encontrada, a perdida, a alcançada. A maneira como encaramos o futuro é também o reflexo do que retirámos dos ensinamentos do passado.

Sem passado, estamos vazios… não temos lembranças, não temos memória…

As nossas recordações fazem parte integrante da nossa vida. Podem ser boas ou más, mais fortes ou mais ténues, mas estão guardadas algures num espaço (às vezes inconsciente) dos nossos cérebros (ou dos nossos corações). Podemos não nos aperceber disso, mas um dia, quando menos esperamos, ele bate à nossa porta dizendo: Isto é um assalto!

Nesses momentos nem sequer nos damos conta de que é ele (o passado), que nos rouba o presente. Entramos em pânico sem saber porquê. Tentamos entender, mas a consciência impede-nos o conhecimento, a compreensão, e ficamos  desprotegidos, frágeis, descontrolados. O fator surpresa tem sempre destas coisas! E nem sequer nos lembramos que passado foi esse que nos tolheu os movimentos e nos fez reviver (doutra maneira) aquilo que nos influenciou a vida.

O passado tem muitas caras, muitas caras são muitos rostos… muitos rostos podem ser gente, muita gente podem ser números, muitos números  podem ser nada!

Precisamos de estar atentos, interpretar os sinais, aprender os códigos, decifrar os “mistérios” da nossa mente… temos de saber lidar com eles, com os nossos “fantasmas”…

Em São Paulo (Brasil)

O passado também pode cruzar-se agradavelmente connosco. Pode pacificar-nos, tornar-nos melhores.

Um aroma numa esquina qualquer pode despertar-nos a infância, trazer-nos prazeres sensoriais, plantar-nos um sorriso nos lábios ou revisitar sabores guardados no palato das nossas recordações.

Um rosto na multidão pode fazer-nos lembrar um amigo e atrás desse amigo, outro e outro amigo, até os encaixarmos a todos numa lembrança feliz.

Por isso, não rasgues o teu passado, porque o teu passado és TU! Chegaste onde chegaste através dele, das vivências que tiveste, dos sonhos que realizaste (ou não), das pessoas que amaste, das que te amaram a ti, das outras que perdeste, daquelas que encontraste, das vidas que cruzaste, das marcas que deixaste (ou não), dos amigos que ajudaste (ou te ajudaram a ti).

Esse é o teu acervo, a tua fortuna pessoal, o teu legado maior.

Por isso, não rasgues o teu passado!

10 Comments

  1. Olá Salvina! A Aldina me passou o endereço do seu Blog e eu gostei muito. Gostei desse texto em especial. Parabéns aqui da “terra brasilis”.Abs,
    Bertha.

  2. Muito bom mesmo, adorei a tua foto muito novinha….
    Beijinhos
    kikas

  3. Vininha
    Realmente continuo a dizer que o que escreves é fantástico… o nosso passado faz parte da história das nossas vidas e por vezes é muito bom poder recordá-lo.
    Gostei de ver a tua foto… “e por momentos voltei lá”
    Um beijinho grande amiga.

  4. UM beijinho para voces, incluindo a linda Mamã que tem.

  5. Adorei ver a tua foto; que saudades daqueles tempos…

  6. Adorei o texto. Concordo plenamente com a Vina. Eu sou muito saudosista. Gosto de lembrar a pessoa que fui, aqueles que tive e já não tenho, os momentos felizes e os menos, Enfim não vou repetir a sua opinião sobre o “Tema”, porque a maneira de ver as coisas é muito idêntica. Mas digo sempre que quem não tem passado não tem História, não tem Lembranças nem sabe o que é ter Saudade. Parabéns pela destreza e pela forma escorreita como escreve. Beijinhos.

    • Obrigada Gracinha. É sempre um prazer ler os seus comentários… a forma “escorreita” como escrevo é nada mais, nada menos, a minha maneira de pensar. Um beijo

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