A passagem

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Fazer a passagem de um ano para o outro, passar da margem de um rio para a outra margem. Com as nossas pontes imaginárias para alcançar o outro lado.

Tudo se tenta para fazer a passagem…

Quem ler isto teve o privilégio de passar de um milénio para o outro.

Será que aprendemos muito com a idade? A entender que a passagem do tempo! (ele não passa por nós) nós é que passamos por ele. «Ele é sempre intemporal».

Limitamo-nos a escutar o rumor de um prelúdio tímido, ou um cantar de um pássaro, uma gota de água de uma torneira mal fechada, seja o que for!?…
É o que nos retém aqui, nos sustenta, como um simples acordo com o universo, que tem uma luz negra prestes a explodir.

No carnaval tiramos as máscaras para por outras, sentimo-nos mais confortáveis dentro de um papel que não é o nosso.

Na passagem do ano!… Tentamos que o vindouro seja melhor e mais feliz. E tentamos arrancar as máscaras. Como dizia o poeta… «a máscara está agarrada à cara».

FELIZ ANO NOVO…

Vamos tentar esquecer as feridas abertas que nos feriram de «morte».

Vamos inventar um Sol que brilhe nos olhos de todos nós, que limpe a miopia que nos consome.

FELIZ ANO NOVO!

3 Comments

  1. Gosto muito do “Imagnário” que pões no teu texto, Mano.É bem verdade. Para mim tudo vem esmorecendo a “PIC”. Tudo começa a ser banal, tudo igual a outros dias ditos normais (se é que as nossas vidas, hoje teem dias normais),Já nada ma faz vibrar, desinteresse, desengano, desamor. Enfim, vamos indo ao sabor do que parece ser e não é.

  2. Vamos por partes. Deves estar recordado que nunca liguei muito à “festa” da passagem do ano; tal como o Carnaval, considero que são datas em que, por princípio se deve estar feliz e satisfeito, mostrando isso exuberantemente. Ora eu detesto datas marcadas para me divertir.
    No caso do final do ano, geralmente invade-me uma nostalgia por quem me é querido e está longe, nomeadamente a minha Mãe.
    Lembro-me de uma passagem de ano muito especial que passei contigo, quando apanhámos o comboio para Madrid à noite em Santa Apolónia e depois passámos a noite a dormir no comboio e chegámos bem frescos, manhã cedinho à gare de Atocha…
    Quanto a este ano, vejo a situação tão negra neste nosso país que quase considero hipócrita estar a desejar um Bom Ano, quando TODA A GENTE sabe que vai ser péssimo!!!

    • Lembro-me dessa passagem de ano em Madrid. Lá muito frescos não chegámos, porque aquela viagem era uma seca. Mas tinhamos a frescura da idade, e a expectativa do momento.
      Também me lembro de outra «passagem» mas já com o Duarte, em que fomos às 24h para a Praça do Sol para ver o fogo de artifício, ou coisa assim!?…..
      BOM ANO

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