“Visto” a máscara…

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Todos os dias “visto” a máscara. A minha máscara é a minha pele… não tenho outra! Se me tirarem a pele serei igual a todas as pessoas sem rosto… o meu rosto está coberto pela minha pele. É ela que me identifica perante os outros. As rugas fazem parte da minha identidade, assim como eu faço parte de mim.

Mas eu não sou só isto… sou muitas coisas e aquilo que sou depende (quase sempre) de quem me vê… dos olhos que me olham, dos corações que me sentem.

Quando me olho ao espelho, sei que a imagem que ele reflete sou eu, fisicamente, mas não sou eu tal como me vejo e me sinto por dentro… então… desnudo a máscara!

Muitas vezes, de cara séria (mas feliz) me perguntam se estou zangada… não! Antes pelo contrário, hoje até estou bem disposta. Porque é que isso não se espelha no meu rosto? Que máscara tenho eu para confundir as pessoas?

Há uma parte de mim que é triste e outra que é alegre… penso que toda a gente é assim, embora eu não seja toda a gente; mas a gente que sou também faz parte da gente (e da gente que não sou).

Há uma parte de mim que ainda não cresceu e outra parte de mim que se perdeu pelos caminhos que percorreu…

Há uma parte de mim que ainda sonha, outra que me liberta, outra que me prende, outra que me critica, outra que me compreende, outra que me ama e outra ainda que me detesta.

Todas as partes de mim se juntam numa argamassa que constitui o meu eu… um eu que é feito das muitas partes do “todo”, da unidade, do inseparável, do único.

E no entanto, embora com uma só pele (ou uma só máscara) posso ser “lida” de muitas formas. Às vezes mostro as minhas fragilidades; outras escondo-me delas. Vejo realidades que finjo não ver, tenho momentos que queria não ter…

Às vezes escondo as emoções, outras mostro-as abertamente.

Quando a minha mãe caminha tropegamente, faço-me forte para a poder amparar, sem que ela possa ler no meu rosto a pena que tenho de ter perdido a mulher/mãe forte, jovem, corajosa e trabalhadora. Quando vacila, eu dou-lhe força; quando fraqueja dou-lhe o ânimo… quando me censura, não ligo!

A(s) minha(s) máscara(s) é (são) a minha defesa: se for preciso mostro-me forte, estando fraca; vejo-me risonha, estando triste; apresento-me descontraída, estando tensa…

De quantas máscaras sou feita, sem nenhuma máscara no rosto?

10 Comments

  1. Sim amiga temos sempre várias “Máscaras ” no nosso dia a dia e o conjunto delas é na verdade o nosso “EU”.
    Por vezes e sem dúvida, temos de demonstrar coisas que na verdade não são as que estamos a sentir… mas temos de continuar para bem de quem está ao nosso lado (como no teu caso a tua mãezinha) e eu com entes queridos que entretanto partiram.
    Gostei da tua “Máscara”,
    Beijinhos amiga

    • Sim Aldina, as máscaras que usamos é que nos identificam perante os outros… e não é por acaso que alguns nos julgam assim e outros pensam que somos “assado”, não é mesmo? Ainda bem que gostas da minha “máscara”…

  2. Olá Vina, muito bonita a sua descrição da MASCARA….. Cada um usa a que mais lhe convém…. Alguns tem muitas, outros usam menos. Eu quanto a mim, creio que em toda a minha vida tive duas: Uma antes e outra depois. Bjs

  3. E quem somos nós por detrás das máscaras? Será que conseguimos existir para além delas ou somos apenas o conjunto de todas elas? Muitas vezes me pergunto isso mesmo: quem sou eu, afinal? Não tenho resposta, não sei, lamento dizê-lo!

  4. Como diz o João Roque. (Todos temos máscaras, que vamos usando, ao sabor dos dias)
    Como teu amigo de há muito tempo….. Vou tentando entender as tuas. «Que até entendo!????…»
    Pondo eu uma nova, para tu não saberes que estou a entrar dentro da TUA.

  5. Todos temos máscaras, que vamos usando,ao sabor dos dias,…

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