A casa dos ventos

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A casa dos ventos

Na casa onde morava na minha infância, tinha o sol que vinha da rua e do céu, e os ventos de Inverno trazidos pela chuva, como um crepúsculo de Verão já terminado, imaginando gaivotas recolhidas no caís com medo da tempestade. Vendo a chuva a bater nas janelas, o sibilar melodioso do vento.

Com medo e com afoito, recolhia-me nos braços de minha mãe, e na cumplicidade de minha irmã, esperando sempre a presença da ausência de meu pai, atada ao silêncio do meu coração, ainda cheio de amor que lhe queria dar.

O que dói! Não é o vento, nem a chuva!….

É o vazio que não nos completa. É a neve na raiz da alegria, apodrecendo em todos os prados, em todos os prantos.

O que dói Pai!… É teres partido como as aves, sem nunca me teres tocado, nem cheirado, como flor que fosse tua. Sem nunca dizeres adeus, sem nunca dizeres TE AMO.

Com o sopro da manhã, a briza dos ventos, o aroma das rosas…

Eu saí sonhando longamente da casa dos ventos, como um anjo sem asas, procurando o infinito, para algum dia te poder alcançar.

6 Comments

  1. Meu Amor,sei que tens razão por pensares dessa forma. O que a Vida te deu de “Bandeja”, não foi fácil. Mas hoje, não penses mais nessa casa nem em outras tempestades.
    O tempo mudou e os homens também. Eu tenho quase a certeza, que algures, lá no fundo do seu SER, Ele te amava. Também sei que isto que te estou dizendo não vai colmatar a lacuna que ficou na tua alma…. Mas hoje ainda vivemos, estamos juntos, e eu Amo-te.

  2. Miguel, os homens da geração dos nossos pais não eram considerados “homens” se deixassem transparecer os seus mais profundos sentimentos. Perdoa, e assim conseguirás conviver com essa ausência.
    Beijo

  3. Talvez o teu texto mais sentido, até agora, em todo o blog.
    E sei do que falo, porque sei do que falas…
    Um abraço muito apertado.

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