A história da rã

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Um destes dias apareceu-me no email uma história que achei muito interessante e que, por esse motivo, quero partilhar. É a história da rã que não sabia que estava a ser cozida.

E a história era mais ou menos assim:

Colocaram uma rã numa panela cheia de água fria e por baixo da panela colocaram o fogo muito baixinho para que a água fosse aquecendo muito lentamente.

A rã não se preocupou com a água fria, nem tão pouco com a água morna, que até achou agradável.

A temperatura ia subindo e a rã começou a deixar de apreciar a água e a sentir-se cansada.

A temperatura subiu ainda mais e a rã começou a sentir-se desconfortável, mas como estava debilitada, não tinha forças para sair da panela.

A temperatura continuou a subir e a rã acabou por morrer cozida.

Se a rã tivesse sido colocada diretamente na água quente, ela certamente teria pulado imediatamente para fora da panela. Mas como a mudança ocorreu lentamente, ela foi apreciando até que, quando começou a desagradar-lhe, já não conseguiu ter forças suficientes para saltar dali para fora.

Esta história retrata o que está a acontecer na vida dos portugueses: as mudanças vão acontecendo de forma tão lenta que não nos apercebemos delas e, quando dermos conta, mudámos a nossa maneira de viver.

Se olharmos para trás 10, 20 ou mais anos, talvez não seja difícil encontrarmos coisas/situações que nos surpreenderiam (talvez até nem acreditássemos) e que hoje nos são completamente indiferentes ou que pouco importam/incomodam.

Neste momento, estou a lembrar-me das aldeias que tinham escolas primárias (monumentos tão importantes numa terra) e que hoje estão abandonadas; lembro-me dos centros de saúde que se encontram fechados ou com horários reduzidos; dos postos de GNR ou PSP que também já não funcionam; e até a própria identidade e história querem tirar às freguesias com este plano de reestruturação. As pessoas que tinham os serviços na sua própria terra, quando derem conta já não os têm  e terão de se deslocar dezenas de quilómetros para tratarem de questões que, em nome de poupanças, reestruturações,  fusões e outras questões, estão a ficar cada vez mais longe das populações.

A água foi aquecendo, ou seja, as mudanças foram acontecendo, o nosso (des)Governo foi cortando, desmobilizando, reduzindo, … e hoje as pessoas já não conseguem, sem o apoio de vizinhos, amigos ou instituições de solidariedade social, sair deste “caldeirão” em que estão mergulhados.

 

3 Comments

  1. É, de facto, desolador… A desertificação do interior, o fim de uma vida que era bem mais reconfortante, mais humana. Assim estamos, assim querem que estejamos.

  2. Verdade Keta. Uma “metáfora” muito bem elaborada. Concordo com tudo o que diz. Mas isso também acontece nas nossas vidas. A primeira vez que caíssemos dentro da panela de água a ferver e déssemos um salto para fugir, não ficaríamos o resto da vida a sofrer queimadas até morrer. Uma beijoca

  3. Força KETA! Não queremos ser «rãs» (Estou contigo, nem que eu seja um sapo).

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