Janela aberta

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Lembras-te!? Minha mana Gracinha, que «Deus como graça te pôs na minha vida”.

Naquela noite em que fui dormir contigo, para de manhã cedo irmos ver nascer o Sol? Para podermos ressuscitar um pesadelo de andorinhas mortas, e coroar em nossas cabeças, lírios e rosas silvestres?

Saímos de mansinho pela janela do quarto, sem os nossos pais saberem de nada. Tu de pijama e eu também.

Não sentia frio, não sei se era Verão ou Primavera?… Sentia apenas o calor do nosso amor e cumplicidade. Fizemos isso como se as nossas vidas fossem só uma passagem, um atalho, um vazio. uma paisagem.

Quando os dois sentados lado a lado; Ele apareceu como saindo das entranhas da Terra, como nós saímos do útero de nossa mãe. Primeiro vermelho, depois laranja, até ficar de ouro, como de ouro era o nosso segredo.

Senti uma solidão de noites consteladas e as nossas almas tontas de vitória, levando ao Sol a torre dos nossos beijos e caricias.

Foi como o nosso grito de amor cruzando o espaço, caindo sobre os brocados fulgidos da nossa glória. Foi um nascer, um renascer para confirmar o nosso país de luz, numa sombra calma de um entardecer.

Quando eu morrer!?…

Esse amanhecer vai-me poisar as mãos sobre os meus olhos com carinho, com um cheiro de lírios e rosas silvestres.

A janela!… continua aberta para entrarmos e sairmos, até que o fumo e a névoa nos levem, não sei para onde?

Mas… havendo sempre duas janelas abertas, para podermos dizer…

Eu te amo!

3 Comments

  1. Impossível ficar indiferente a um tão grande e belo amor fraternal.

  2. Obrigada Meu Querido Mano, por teres trazido á tona esse segredo lindo que era só nosso. Tão pequeninos que éramos!!! Tu, terias talvez uns 5 aninhos e eu 9. Nem conseguimos dormir. Mal as estrelas se esconderam, já nós queríamos saltar da Janela…. Ainda dentro do quarto, eu peguei-te no colo e sentei-te no parapeito da janela, com os pézinhos pendurados para fora. Depois, fui eu que saltei para a Rua já com a grandeza dos meus inocentes 9 aninhos. De seguida, com todo o Instinto Maternal, já no chão, abracei-te e com todo o carinho e ternura, coloquei-te na Rua. E de mãos dadas iniciámos a nossa aventura. (E a janela era tão alta em relação ao nosso tamanho!!! Foi o nosso primeiro NASCER DO SOL….. foi o mais maravilhoso que vi nascer em todos os dias da minha Vida… Quando chegou o Sr. Miranda (Capataz do tempo em que os trabalhadores do campo eram forçados a laborar de SOL a SOL), ficou incrédulo por nos ver ali, sozinhos áquela hora. Mas nós estávamos extasiados. Aquela Quinta era e será sempre, o Paraíso da nossa Infância e Adolescência. Não me lembro se os nossos Pais já tinham dado pela nossa falta, ou não. Mas possivelmente não ouvimos nenhum “ralhete”. Que bom seria se ainda hoje pudesse-mos voltar juntos a ver NASCER O SOL!!!!!!!! Mas com a inocência desse tempo… AMO-TE

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