A Administração Pública, pelas vezes em que é criticada e face ao preconceito de que ainda é alvo – muitos conservam a ideia da Administração Pública desorganizada, burocrática, com falta de profissionalismo e dispendiosa – tornou-se o “bode expiatório” da crise em que o País vive.
É verdade que encontramos nos seus inúmeros serviços de apoio ao cidadão e ao funcionamento do próprio Estado, projectos bem conseguidos, exemplares para serviços congéneres e outros que, por uma ou outra razão, não chegaram a “sair do papel”, são mal geridos/implementados. Tal como pode acontecer em qualquer instituição privada.
Muitos dir-me-ão: “Mas esse dinheiro é nosso! É para gerir com consciência para o bem comum e não para o bem de alguns.” E eu concordo, porque têm razão.
Mas, ainda assim, questiono: “O governo do Estado é pessoa de bem?”
Esta ideia construída há vários anos ainda fará sentido nos dias de hoje?
Para mim não!
O Estado somos todos nós.
Mas nós temos escolhido governos que só nos desgorvernam. E esses não tem palavra, prometem e não cumprem, dizem uma coisa e fazem outra, beneficiam os seus “boys”, os “boys” e “girls” dos seus “boys” e por aí adiante. Para o povo que os elegeu, estão-se “nas tintas”; esses só são importantes em período de eleições, porque os votos são necessários para que possam “subir ao poleiro”. Depois esquecem-se deles, embora mantenham na boca as palavras mágicas de sempre: “a bem do País”, “beneficiar os menos favorecidos”, “distribuir sacrifícios equitativamente”, “o direito à saúde e à educação é para todos”, blá, blá, blá:
- Prometem a justiça que não conseguimos encontrar;
- Prometem o acesso universal à saúde e educação que cada vez está mais dificultado e a perder qualidade;
- Prometem a segurança e as pessoas cada vez estão mais inseguras;
- Prometem apoio social e as pessoas cada vez têm mais dificuldades;
- Prometem pensões, reformas e ordenados para depois unilateralmente cortar a seu belo prazer.
…
Afinal, que Estado é o nosso?
