Suicídio

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Apesar de ainda pouco se falar e muitas vezes escondendo os números reais, já se encontram várias notícias sobre alguns suicídios que nos aparecem em dose dupla ou tripla, quando são descobertos os corpos de famílias completas.

Se antes o suicídio era visto na sua generalidade como uma questão pessoal, particular, hoje transcende esta questão e chega a tocar a sociedade – a violência que esta crise inflige a muitas pessoas cuja esperança em alcançar o seu projecto de vida acaba por morrer.

Pensar no suicídio é pensar na morte como o único escape de um sofrimento intolerável. Quando uma pessoa se sente no limite das suas forças, da sua angústia, do seu desespero, da sua dor.

Cada pessoa tem os seus próprios motivos que a levam a ponderar desistir de viver. E é a conjugação de alguns destes motivos (depressão, uso de substâncias, alcoolismo, desemprego, perda do suporte familiar e social, falta de esperança, impulsividade/agressividade, psicopatologias, culpabilidade por actos praticados, perda de pessoas significativas e dor psíquica insustentável) que pode potenciar a tentativa ou consumação do suicídio.

A maioria das pessoas que pensam, tentam ou cometem suicídio têm apenas a intenção de acabar com a sua dor psicológica insuportável e não terminar com a própria vida. Elas não conseguem é encontrar outra alternativa. Excepção feita ao suicídio motivado por questões culturais ou pela intenção de provocar algum sofrimento em alguém (ou num grupo de pessoas) culpando-o(s) pela sua morte.

Porque a decisão de suicídio raramente é repentina, geralmente a pessoa constrói um plano, onde estabelece a data, define o que tem que fazer (por os assuntos em ordem, oferecer objectos ou bens pessoais valiosos, fazer despedidas ou enviar mensagens como se fosse a ultima vez, …) é fundamental estar atento a estes ou outros sinais de alerta.

A vida por vezes apresenta-nos situações difíceis, e não falar dos problemas pode desenvolvê-los/aumentá-los interiormente. É preferível conversar com alguém (até mesmo com um desconhecido) e desta forma poder encontrar soluções alternativas e aliviar o peso da dor que se carrega.

É fundamental para quem escuta, não julgar os problemas apresentados e ajudar a encontrar formas de lidar com os problemas, discutir possíveis cenários futuros mais satisfatórios. A pessoa tem que sentir que a sua vida tem valor para alguém, que a sua dor é compreensível face às situações vividas e que existem pessoas que se importam consigo.

Nestes momentos tão delicados, nem sempre sabemos onde encontrar ajuda. Por isso, deixo aqui alguns contactos úteis:

SOS Voz Amiga – 213 544 545 ou 800 202 669
Serviço Nacional de Socorro – 112
Www.spsuicidologia.pt

5 Comments

  1. Infelizmente… Beijinhos Keta

  2. Amiga Keta o que escreves neste teu artigo é infelizmente uma das realidades dos nosso dias de hoje…
    Ainda bem que deixas alguns contactos para pessoas que necessitem.
    Beijinhos

    • Aldina, infelizmente o aumento do número de suicídios é um dos resultados desta crise. O meu propósito é mesmo disponibilizar alguma informação para quem possa cruzar o seu caminho com uma situação destas. Beijinhos.

  3. SUICÍDIO! Sei o que isso é. Cada um tem as suas razões, cada um tem o «direito» de fazer da sua vida o que mais achar que é melhor.
    Acho que o suicídio é um acto de muita coragem e «desespero, angustia, de desilusão . (É não querer seguir mais por um caminho, na tentativa de encontrar outro…..)

    • Miguel, eu acho que mais corajoso é aquele que pede ajuda, expondo os seus problemas e as dificuldades que sente em conseguir ultrapassá-los. Este é o que, provavelmente, pensa que morrer será o método mais fácil e mais rápido para escapar ao desespero, angústia e desilusão que referiste, mas sabe que não é o mais correcto e, por isso, pede ajuda para encontrar alternativas continuando a viver.

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