Encontro

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Fugindo de ti para me encontrar,
Encontrei-te, vi-te, falei-te
E desencontrei-me.

Encontro e desencontro
Choque, luz e escuridão,
Fiquei um pouco confusa,
Sorri… e estendi-te a mão.
Olhaste
Desinteressadamente,
Vagamente
Disfarçadamente
E nesse olhar que me lançaste
Disfarçado, vago, desinteressado,
Eu senti um gelo,
Um gelo gelado, frio.

Apoderou-se de mim
Uma tristeza infinda
Estremeci
Levei as unhas à boca
Recompus-me… e sorri.

Encontro e desencontro aconteceram
E sucederam-se
Como se sucede tudo na vida
À alegria juntou-se a tristeza
À felicidade, a dor
Ao sorriso uma lágrima teimosa
Que surge nos olhos, perdida.

Aborreci-me
Zanguei-me comigo própria
Barafustei
Engoli em seco
E calei.

Olhei para todos os cantos
Para todas as pessoas
Para todas as casas
Para todas as ruas…
Ninguém olhava para mim.
Uma criança passou
E ofereceu-me o seu bracito
Franzino, comprido, pequenino
E eu senti-me gigante, enorme, grande,
Mas destruída,
Ínfima, diminuída
Perante aquela mão
Franzina, comprida, pequena,
Que se estendia para mim.

E fugi, corri,
Andei até me cansar
Senti-me diminuída
Ínfima
Destruída
Depois parei,
Cansada de tanto andar…

4 Comments

  1. Às vezes nos sentimos mesmo assim, e por essa razão nossos radiantes encontros e tristes desencontros. Todavia somos razão e paixão e não podemos nos quedar inertes: a vida é pulsante e o ser humano, vibrante e amante. Navegar é preciso! Mas viver também é preciso. Sem vida não há sentimentos, e sem sentimentos ninguém expressa um poema como esse, tão lindo, tão triste e tão terno! Bjs

    • Obrigada, Betty.
      Mas quero dizer-lhe que você sim, tem tudo para escrever grandes poemas. Gosto muito da forma como expressa a sua opinião: com simplicidade, sabedoria, sentimento e um toque de poesia…
      Gosto de a ter como amiga. Um beijo.

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