O abraço

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Estação de Santa Apolónia

Estação de Santa Apolónia

Ontem, à chegada à estação de comboios de Santa Apolónia, fui surpreendida por uma criança sorridente, de uns 3 ou 4 anos, que me surge pela frente de braços abertos, como se me esperasse vinda de uma grande viagem.

O mais engraçado é que não nos conhecíamos. Não faço a menor ideia de quem era aquela criança que estava ali, à minha frente, a oferecer-me o seu abraço. Ainda pensei que não seria para mim, mas, ao deslocar-me para o lado, a criança também se deslocou. Era mesmo para mim.

Este acontecimento alegrou-me; afinal não é todos os dias que uma criança surge do nada para nos abraçar. Com a pressa de chegar ao emprego, não me detive na estação.

Continuei o meu percurso até ao trabalho, mas durante a caminhada dei comigo a pensar se a criança estava simplesmente a brincar, abrindo os braços para não me deixar passar. Gosto mais de pensar que a criança estava de braços abertos para me abraçar. Abraçar uma estranha? Com aquele sorriso inocente? Tentei voltar mentalmente à estação para me perguntar se, em algum momento, me apercebi se estava acompanhada pelos pais. Só me lembro de ter visto um senhor distraidamente a olhar para o painel das partidas e chegadas. É caso para questionar: se alguém com más intenções pegasse na criança e desaparecesse no emaranhado da estação? Sim, porque para acontecer uma tragédia, basta apenas uma pequena distração.

Seja como for, no mundo de hoje, não é uma atitude normal de pais responsáveis permitirem que crianças brinquem com estranhos, mais a mais num local de passagem. Porque é que uma criança tão pequena não estava debaixo de um olhar atento? E o que a levaria a abraçar estranhos?

Este é um “aviso à navegação”:

Às vezes as crianças não desaparecem “porque sim”, mas porque os adultos que são responsáveis por elas, “baixam a guarda”.

 

5 Comments

  1. Olá. Gostei de vos conhecer no jantar. Trocámos muito poucas palavras, mas não faltarão momentos para conversarmos 🙂

    • Olá Margarida, também gostámos de te conhecer. Comentámos até o muito jeito que tens para a escrita. Deliciá-mo-nos com os teus contos que ouvimos no jantar e já fomos conhecer o teu blog que, se dúvidas houvesse, só veio confirmar que és uma escritora de grande talento.
      Beijinhos meus e da Vina.

  2. Para já, foi um prazer ter-te conhecido.
    E gostei da história. muito pertinente.

  3. Muito pertinente, Keta1…..

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