Tiê-Bicudo

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Meu bom amigo pássaro tiê-bicudo, a sua clandestinidade foi longa. sessenta anos. e agora reaparece, que dureza, hein meu amigo. nem vou perguntar dos buracos onde se escondeu. ruins são os disfarces, tudo para viver. só posso imaginar.

Foi pardal, o operário, que comprou um terno no brechó, e virou tico-tico, o escriturário; de bater ponto todo dia. deixou essa rotina e se fez tiziu, o malabarista, trabalhando nas esquinas. deu cabriolas no ar, para não ser atropelado. era um e era tantos. que acabou artista de fraque e cartola, um andorinha-tesoura, que voava tão depressa enganando os obstáculos. e voltou com seu canto mavioso. cante alto meu bom amigo tiê-bicudo. pois são poucos os que têm coragem de cantar.

Guido Pereira

3 Comments

  1. Sê bem-vindo tiê-bicudo. Depois de tantos anos na clandestinidade deves ter imensas histórias para nos contar (ou cantar).
    Fica connosco para nos animares com o teu canto mavioso 😉

  2. Obrigada pelo texto. Gostei muito de o ler e partilhar. Parabéns!

  3. Cante alto, meu tiê-bicudo!
    Lindo, lindo!

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