Egoísmo?

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Num almoço com um colega, que já não via há algum tempo, perguntei-lhe como estava o pai, pois sabia que lhe tinha sido detectado um cancro há uns meses. O pai encontrava-se a cerca de 300 km de distância do filho.

O meu colega respondeu:

– Lá está, coitado. Começou agora a fazer a quimioterapia.

Perguntei eu:

– Mas tens ido vê-lo?
– Não! Não quero alterar a imagem que tenho dele – repondeu-me
– Não achas que ficaria contente em ver-te? – perguntei.
– Ficava! – respondeu.
– E não fazes isso por ele? Para lhe dar alguma alegria? Talvez a sua imagem tenha sido alterada pela doença, mas é o preço a pagar pela alegria que lhe dás numa altura em que ele mais precisa de apoio.

Ele ficou pensativo, concordando comigo mas ponderando sobre o seu sofrimento ao imaginar a degradação do pai quando o voltasse a ver.

Agora pergunto: até que ponto o egoísmo de um filho pode impedi-lo de dar a um pai um sorriso amigo, uma palavra de conforto ou um último beijo de despedida?

Que amor é este que nos afasta nos momentos em que nos devíamos aproximar?

10 Comments

  1. bem.. eu compreendo-o mas nunca faria o mesmo, preferia bem mais passar pela dor de ver alguém que gosto numa má fase mas sabendo que uma boa atitude minha o iria fazer ficar melhor e com mais força.

    • Olá Aaron,
      um pai espera sempre o apoio e a coragem dos filhos perante as dificuldades que a vida possa apresentar. É como afirma, uma boa atitude iria fazer com que ficasse melhor e com mais força.
      Obrigada pelo seu comentário.

  2. Triste… acho que sim, que nos tornámos todos muito muito egoístas. Ainda assim, uns mais do que os outros. O meu pai está há alg tempo com o mesmo problema, mas a correr bem, pensamos, apesar de tudo. Eu só rezava para que não sofresse, rezava e rezo para o ter junto de mim por mt tempo e que pudesse ver o neto na escola primária, o que vai acontecer, se deus quiser, em setembro. É essencial nas nossas vidas.

    • Espero que o seu pai fique consigo o maior tempo possível. Os nossos pais são mesmo essenciais nas nossas vidas. Pena é que algumas pessoas só se apercebam disso muito tarde.
      Obrigada pelo seu comentário e muitos parabéns pelo seu blog, do qual gosto muito.

  3. Dói tanto, mas tanto….. Nós Pais a Cuidadores criamo-los com tanto amor, carinho, sacrifício, transmitimos-lhe tantos valores, anulamos a nossa vida em função da vida deles, e quando pensamos que temos ali a nossa grande “Obra”, verificamos que temos somente pessoas interesseiras, calculistas, egoístas que nos ignoram, anulam, desprezam, e que apenas aparecem quando ainda precisam do resto que sobrou. Meu Deus como são ingratos os Filhos deste tempo que não foi o nosso tempo.

    • Gracinha, por vezes, quanto mais os pais se entregam, quase “anulando” a sua própria liberdade, o seu espaço, mais os filhos se apercebem disso e mais exigentes e egoístas se tornam. Todos temos que ter o nosso espaço, a nossa vida, e saber respeitar o espaço e a vida dos outros. Só assim poderemos viver todos em harmonia.
      Quando um filho não dá o devido valor a um pai ou mãe, além de ser impressionante, e desgastante, dói profundamente sentir que o projecto que idealizaram para o filho não era nada assim.
      Beijinhos.

  4. O que escreveste tocou-me profundamente. Não a nível de filhos, mas de sobrinhos. (porque fiquei para tio ) «que para eles sou um segundo pai»
    Nós sabemos que um dia os filhos têm que bater as asas…
    Mas, um acomodar, um desinteresse assim…
    É puro egoísmo e ingratidão!
    Será que o ser humano está tão desumanizado?…

    • Quantas vezes vemos casos deste género a aparecer nas notícias? Alguns que não se ficam na indiferença, mas que, pior ainda, acabam por maltratar os pais?
      Quais serão os valores destas pessoas?…

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