Rasto tecnológico

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De vez em quando temos notícias sobre escutas e espionagem. E as pessoas indignam-se porque imaginam que podem estar a ser escutadas nas chamadas que fazem e as suas mensagens a ser lidas. Pior, os seus dados podem estar a ser guardados, sabe-se lá onde!

Será que as pessoas têm ideia do “rasto” tecnológico que deixam no seu dia a dia?

O telemóvel, que praticamente todos usam (ainda há resistentes!…), está constantemente ligado a alguma antena para podermos obter sinal para realizar chamadas, portanto a nossa localização é facil.

As mensagens, as chamadas de voz e vídeo que transmitimos pelo telemóvel, tablet ou computador têm que passar pelas antenas e por várias máquinas até chegarem ao seu destino (e o rasto fica como histórico, cookies, etc.).

O cartão multibanco é utilizado nas compras, sejam elas na internet, nas lojas, nas bombas de gasolina, etc. sempre a deixar o rasto, “mostrando” que passamos por ali e o que comprámos.

A “Via Verde” também “anota” por onde passamos, em que dia e hora. Já para não falar nas câmaras de vídeo-vigilância espalhadas pelas auto-estradas, lojas, ruas, centros comerciais, etc.

As grandes empresas – e dou como exemplo o Continente – sabe, mediante a utilização do cartão de cliente, tudo o que compramos, quantidades, periocidade, se reclamámos/devolvemos, se vamos atrás das promoções, se optamos pelas marcas brancas (neste caso a marca da própria casa) e, agora, até já podem saber onde e quando vamos de férias (se lhes comprarmos as viagens).

E o facebook que revela ao mundo tudo aquilo que publicamos, por vezes pensando que estamos apenas a partilhar informação com a família ou amigos próximos? Mesmo quando limitamos os acessos à nossa informação ou mesmo quando apagamos o que não queremos “no ar”,  que certezas temos de que não fica acessível?

Quantas pessoas sabem através das redes sociais que fulano está de férias com a família em tal parte, ou que viajou para tal sitio, ou que esteve na festa tal com determinados amigos, etc, etc.

Onde fica a nossa privacidade quando utilizamos as redes sociais? Como é que nos indignamos quando se fala em ter acesso aos nossos dados/vida pessoal, se somos nós os primeiros a não ter os cuidados necessários para a nossa protecção/privacidade.

O “Big Brother” não é só um programa de televisão. É a nossa vida real, que pode ser investigada por uma entidade oficial ou por “alguém” mal intencionado.

6 Comments

  1. Exatamente. Por isso não ligo nenhuma a notícias de escutas, cá ou feitas de lá 🙂 Não sou grande utilizadora de telemóvel mas já sou do Facebook. E portanto, quem anda à chuva molha-se. 🙂 E também me parece que a linha entre público e privado é mais ténue do que parece. Não acho, por exemplo, que um casamento seja uma coisa privada. O resto das pessoas, ainda que apenas numa dimensão local, disso terá conhecimento. E por aí fora…

    • É mesmo isso. A linha que separa o público do privado, por vezes, é descontínua e ambos os lados se tocam quando o que era apenas privado passou para o domínio público. Basta uma pequena abertura, por vezes um hipotético segredo dito em tom de confidência e … deixou de ser privado.
      Beijinhos e obrigada pelo comentário.

  2. Tudo,.. tudo verdade…… Mas isto é o preço que pagamos pelo avanço das tecnologias. Se pensarmos bem, teremos que regredir quase à idade da Pedra, porque passamos a ter medo de tudo. Concordo com tudo o que disse Keta, não mudaria uma única virgula. Foi bom ter feito esta abordagem para despertar Mentalidades. Um beijo, continue a oferecer-nos temas deste género. Gosto muito do que escreve

    • Gracinha, com tantas facilidades que as tecnologias nos trouxeram, já não conseguiríamos sobreviver se, por um passo de magia, pudéssemos voltar à idade da pedra :-).
      Como em tudo, existe a outra “face da moeda”. Neste caso, a nossa tão grande “liberdade” cibernética, que nos permite quase tudo à distância de um clique, deixa-nos ao mesmo tempo reféns de um mundo desconhecido, que existe para além da máquina que estamos a utilizar.
      Beijinhos e obrigada pelo seu comentário – gostei muito ;-).

  3. Informar, informar… a palavra que devemos ter presente e fazer despertar nas pessoas e sobretudo nos jovens para a necessidade de termos em consideração esses conceitos. No inicio ao nível da segurança dos estados e actualmente, também, qualquer cibernauta que poderá ser o vizinho, com um simples conhecimento poderá ter acesso à nossa informação… Muito bom teres tocado neste assunto e fazeres despertar as pessoas para esta realidade de uma forma natural e muito clara. Gostei muito Keta! Continua. Um beijinho para ti.

    • Hoje, com os meios tecnológicos que temos à nossa disposição, conseguimos fazer coisas que há uns anos nem sonhávamos. E as tecnologias avançam a uma velocidade que nem nos apercebemos dos perigos que possam estar por trás de tantas facilidades. Como bem dizes: Informar, informar…
      Beijinhos e obrigada pelo teu comentário sempre atento 🙂

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