Os militares não estão só nos quartéis

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Foi notícia no dia 19 que uma viatura do Exército se despistou e atropelou mortalmente uma senhora e feriu ainda quatro pessoas (dois civis e dois militares).

Lamento este trágico acidente e lamento ainda que o Exército apareça nas notícias apenas pela negativa, quando tem feito um trabalho notável de auxílio à população civil.

A título de exemplo, na Região Autónoma da Madeira, desde o dia 14 que se encontravam diariamente 3 equipas militares a realizar patrulhas de vigilância contra incêndios, em reforço das acções de prevenção e vigilância, nos concelhos de Santa Cruz, Ribeira Brava e Calheta.

Com o evoluir da situação (o surgimento dos incêndios), foram desactivadas estas patrulhas e activadas uma equipa de reabastecimento de água e duas equipas de rescaldo de incêndios.

No dia 17, o Regimento de Guarnição Nº 3 (RG3) acolheu cerca de uma centena de doentes, na sua grande maioria acamados e transportados em ambulâncias, assistidos por diversos profissionais do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira, na sequência da evacuação do Hospital dos Marmeleiros devido à proximidade do foco de incêndio. Foram ainda acolhidos no RG3 cerca de 16 desalojados cujas habitações foram destruídas pelos incêndios.

No dia 18 de agosto, continuaram os trabalhos da equipa de reabastecimento de água e as duas equipas de rescaldo de incêndios, em reforço das operações desenvolvidas pelos Bombeiros Municipais do Funchal. Os pacientes do Hospital dos Marmeleiros que se encontravam no RG3 regressaram todos à unidade Hospitalar, permanecendo no RG3 16 desalojados.

No dia 19, apareceu em todos os jornais a notícia do acidente, que se limita a falar do acidente e dos seus resultados.

O próprio Exército não divulga a nível nacional o apoio que tem prestado à Autoridade Nacional de Proteção Civil, no combate aos fogos florestais. Estão em curso um conjunto de operações de consolidação, vigilância ativa e colaboração com as autoridades locais, tendo sido já empenhados nestas operações de combate aos incêndios florestais cerca de 850 militares e 112 viaturas, entre as quais máquinas de rastos para abertura de aceiros.

Além da Região Autónoma da Madeira, o Exército tem ainda um empenhamento diário e contínuo nas regiões de Gerês, da Serra D’Arga, Serra da Cabreira, Amarante e Serra do Marão, Serra do Alvão, Serra de Montesinho, Serra da Freita, Serra da Estrela, Perímetro florestal de Alge e Penela/Góis, Serra do Caramulo, Serra de Montemuro, Matas Nacionais de Leiria, Serra D’Aire e Candeeiros, Serra da Malcata, Serra de Monchique, Serra de Sintra, Tapada Nacional Mafra, Serra de Santa Luzia.

O que se passa a este nível no Exército é um retrato do que se passa no país, ou seja, é a ideia da notícia do “quanto pior, melhor”.

As notícias destacam o que acontece de trágico, e o que nos pode promover como país, orgulhar como portugueses que somos, é simplesmente ignorado e não aparece.

2 Comments

  1. Para os noticiários só interessa o que causa escândalo, e se for negativo, tanto melhor.

    • Infelizmente é o que temos. Os nossos jornalistas já pouco nos surpreendem com as notícias que nos trazem. Já não vemos bons trabalhos de investigação, nem boas entrevistas. Resta-nos o sensionalismo pela negativa.
      Beijinhos, João. E obrigada pela tua presença assídua.

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