Irmãos

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A Deco publicou numa das suas revistas, a “Dinheiro e Direitos” de Setembro/Outubro de 2013, um artigo intitulado “Meus, teus e nossos” onde é abordada a questão legal/jurídica da adopção plena com os mesmos direitos para filhos e enteados. Mas o que me chamou a atenção no artigo foram os novos significados para a palavra irmão.

Todos sabemos que hoje em dia é fácil encontrarmos famílias que não apresentem a estrutura tradicional de Pai, Mãe e filhos (de ambos). Existem divorciados(as) ou viúvos(as) com filhos que voltam a casar com outros(as) também com filhos. E temos assim os irmãos, os meios-irmãos e os outros, que ainda não sei como se chamam e que são os filhos dele em relação aos filhos dela mas que não têm qualquer ligação de sangue.

Identificando pelos nomes temos:

– Irmãos germanos – filhos do mesmo pai e mesma mãe.
– Irmãos consanguíneos – filhos do mesmo pai e mães diferentes.
– Irmãos uterinos – filhos da mesma mãe e pais diferentes.

E a minha questão prende-se com a relação dos filhos que o pai e a mãe já trazem de outras relações. São irmãos? Parece que não, embora haja quem os tenha baptizado como “irmãos emprestados”. E os tios de uns que não são tios dos outros? E os avós, que de repente se veem com netos que não são filhos dos seus filhos? Será que a ideia do “fruto da relação” não abarca também os frutos das anteriores relações?

Há uns anos atrás, ouvi uma educadora de pré-escola a referir que tinha dois garotos, filhos de pais diferentes, que na escola se tratavam como irmãos e ela dizia-me que lhes respondia que eles não eram irmãos.

Quando os pais estão a esforçar-se por harmonizar a nova e complexa família, é muito injusto que surja outro educador que vem pôr tudo em causa e baralhar a tão frágil percepção que a criança ainda está a tentar formar relativamente à sua nova família.

Todos temos que nos adaptar às novas famílias que serão cada vez mais diversificadas, até mesmo porque a realidade dos nossos dias já não é o que era.

O que verdadeiramente une as pessoas não são os graus de parentesco, mas o amor que conseguem sentir uns pelos outros.

6 Comments

  1. Um pensamento muito importante que trouxeste para o Blog. Muita gente certamente não pensa em tais relações, afinidades… o que é certo é que a sociedade de hoje e pela «evolução» da mesma cria situações, as quais não estão definidas no cumulo jurídico, nem no vocabulário da própria língua. Mas o mais importante, para além da relação de sangue dever-se-á ter em conta sempre a relação que as liga, e essa sim deverá ser imperativa em relação a tudo o resto. «As relações são feitas de sentimentos» e a sociedade terá obrigatoriamente de as respeitar. Keta obrigada por mais um tema fantástico. Beijinho.

  2. Sem dúvida. Subscrevo o comentário acima. Os elos afetivos são mais verdadeiros.

  3. Bem verdade Keta, neste tempo tão conturbado,existe grande confusão na cabecinha das crianças, mas realmente o que conta são os laços de Amor que Elas devem criar entre todas, independentemente de quem quer que seja o Pai ou a Mãe ou quem é Filho de Quem.

    • Gracinha, eu julgo que mais que a confusão na cabeça das crianças é a confusão na cabeça dos adultos. E essa é que é preocupante. Para as crianças as coisas são simples e não há tanta dificuldade na adaptação à nova realidade como há nos adultos. Antigamente as crianças brincavam na rua e os amigos/vizinhos eram como irmãos. Era a amizade que mais importava. Chegando ao ponto de quererem ficar com os amigos em vez de irem para casa para perto da família.
      Os adultos começam a pensar no que deve e não deve ser, no que os outros vão pensar, etc, etc.
      Estes novos casais romperam essas ideias fixas e deixaram levar-se pelo coração.
      Beijinhos.

  4. Mais importante que os laços sanguíneos, são os laços afectivos.

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