Mãos

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Mãos!… Que quando nasci se fecharam em concha vazia, para procurar a mama de minha Mãe, que as abria para acariciar em frenética corrida a esse leite, que me ia continuar a dar vida.

Sofregamente num anseio procurando a sorte, e num frémito vibrante de ansiedade, senti a vida como um êxtase de morte.

Mãos!… Que foram modelando a vida, modelando barro, e todos os contratempos onde me esbarro.

Mãos!… Que já escreveram poemas, tão inúteis e efémeros, como um dia chegando ao fim, como um cão sem dono esperando mãos para me acariciar todo nu, sem armadura, senti-las em meu corpo sem amargura.

Mãos!… Que acariciam tanto, que erguidas ao céu quando crente.

Mãos!… Masturbante, como sendo dois amantes, mãos vibrantes, onde poisavam o que a noite trazia, como espadas brilhantes em ardor indivizivel do dia.

Mãos!… Quando eu morrer, como gaivotas demorando-se na bruma, num mar de prata e de espuma.

Mãos!… Que alguém, bem a seu jeito, me porão em cruz sobre meu peito…..

4 Comments

  1. Lindo e comovente como tudo o que tu escreves. Concordo com o João. Temos que nos prender á vida, porque a morte, essa está certa. Beijo as tuas mãos que tanto me acarinham…..

  2. Muito belo, mas como sempre tão apelativo à morte…
    Demasiado…vive a Vida!

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