As greves

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GreveSerão justas as greves?

Nesta semana de greves que tivemos, muitos foram os penalizados pela falta dos serviços em que se verificaram as greves.

Não me cabe a mim dissertar sobre a justiça ou injustiça das greves. A justiça de uns é considerada injustiça para outros (salvo raras excepções). Neste texto apenas me quero debruçar sobre as suas implicaçōes.

Faz sentido uma pessoa ser penalizada por não ter transporte (mesmo com o passe pago para todo o mês) e ser, em consequência disso, também penalizada no trabalho por ter chegado tarde ou mesmo faltado? E quando digo penalizada, não me refiro só ao corte no vencimento, refiro-me a penalizaçōes de diminuição de dias de descanso (sejam dias de férias, folgas ou fins de semana), e, nalguns casos, a despedimentos.
Nos empregos precários, que cada vez são em maior número, estas situações são mais que aquelas que imaginamos.

Faz sentido uma pessoa estar meses a aguardar uma consulta ou operação e, por falta de sorte o dia marcado coincidir com um dia de greve, e, por esse motivo, voltar para a lista de espera a aguardar nova marcação sem que seja considerado prioritário relativamente aos que estavam agendados para depois?

E fará sentido ficarmos de braços cruzados perante estes roubos a que nos têm sujeitado, sem pelo menos utilizarmos a melhor arma pacífica de que dispomos para mostrarmos a nossa indignação e a nossa discordância?

As greves só fazem sentido se tiverem impacto. Alguém se queixa se uma greve não afectar ninguém? Nem sequer é considerada.

Foram as greves que impulsionaram alguns dos direitos que hoje temos como adquiridos e são elas que ainda os mantêm.

Se reflectirmos sobre o que leva à marcação das greves, encontramos facilmente os parâmetros do Estado Social:

  • é porque cortam salários e/ou pensões,
  • é porque aumentam a idade da reforma,
  • é pela existência do trabalho/empregos precários,
  • é pelos cortes das prestações sociais,
  • é pelo aumento dos impostos,
  • é pela destruição do Serviço Nacional de Saúde (os cuidados universais e tendencialmente gratuitos)
  • é pela destruição da Escola Pública,
  • E, agora, é por todas elas em conjunto!

Ou fará mais sentido acabar com aquilo que nos pode apoiar quando necessitarmos (dos cuidados em caso de doença, da pensão/reforma na velhice, do subsidio quando ficamos sem emprego, etc, etc) e gastar esse dinheiro com os grandes capitalistas/empresários, fazendo parcerias ruinosas para o Estado mas muitos vantajosas para estes senhores?

2 Comments

  1. “… Finalmente a DEMOCRACIA! Direitos iguais para todos…” É verdade! Nestas afirmações muitas expressões se escondem, falta referir muito, e o muito é que na actual sociedade de classes, ou melhor de classe há os ricos e os outros, os ricos conseguem tudo (porque será?), os outros (os pobres) não têm direito a nada, porquê? Por falar em greves… elas a quem afecta?… não se necessita dizer muito mais! Esperando sempre pelas tuas palavras que nos despertam e nos fazem refletir. Obrigada Keta, continua!

  2. Keta! É muito pertinente o teu texto….. Mas… o que é justo para uns é injusto para outros, o que é bom para uns é mau para outros. Sempre foi assim.
    Quem vai conseguir mudar isso?????….

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