Corrupção

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Hoje pretendo fazer uma breve reflexão sobre a corrupção.

A corrupção não tem fronteiras. Esta prática, também designada como suborno ou “luvas” em Portugal, é conhecida noutros países com outros termos como: “gasosa” em Angola, “refresco” em Moçambique, “propina” no Brasil, etc., etc.

O ditado diz-nos que “a ocasião faz o ladrão”, mas o que é certo é que nem todos aproveitam as “ocasiões”. Esta oportunidade pode ser utilizada ou evitada pelos valores, pelas motivações, pela disposição da pessoa em “aproveitar” uma oportunidade para se favorecer, mesmo correndo o risco de ser apanhada.

Sabemos contudo que, apesar de haver pobreza, de existirem famílias endividadas, o chamado “enriquecimento ilícito” não provém destas circunstâncias. Quando se fala em enriquecimento ilícito, regra geral refere-se a pessoas que se destacam pela ambição de poder, de êxito pessoal, de estatuto. O pobre se porventura “pisar o risco”, é logo apanhado (lembremo-nos do rapaz que roubou a pizza e que foi julgado a semana passada por 3 juízes). O ambicioso, no sentido de ganancioso, que desvia mundos sem fundos chega até ao cúmulo de ser indicado como modelo a seguir pelas conquistas alcançadas. Claro que, nestas ocasiões, ninguém refere a forma como conseguiu o que conquistou.

Acontece que nestas coisas da corrupção também existem “compadrios”, ou seja, pessoas de confiança para alinharem no jogo dos favores por forma a saírem todos a ganhar. Todos os que entrarem, porque para eles ganharem quem fica de fora fica a perder. Regra geral este alguém é o Estado, isto é, somos todos nós. Seja através da fraude fiscal, sejam as contabilidades paralelas das empresas, o branqueamento de capitais, a falsificação de facturas, as contas em offshores, etc.

Expliquem-me como é que estando o país nesta crise, onde todos nos sentimos mais pobres, nos anunciam um maior número de ricos e que os ricos ainda estão mais ricos!

E porque será que estamos em crise? Acham que estaríamos em crise se não houvesse corrupção?

Onde é que ficou a igualdade, a imparcialidade, a transparência, a legalidade, a livre concorrência e a integridade? Ficaram bem “enterradas” por baixo dos buracos do BPN, BPP, submarinos e em grandes obras públicas com desvios fenomenais do erário público!…

Segundo o índice de percepção da corrupção, numa lista de 177 países, Portugal está na 33.ª posição.

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