Em jeito de fim de ano

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imagesEm jeito de fim de ano, sou levada a fazer uma retrospectiva do ano que chega ao fim e a formulação de desejos para o ano que vai começar. Fui dar uma “vista de olhos” ao tri-angulo no final de 2012 e, surpresa, também fui eu a fechar o ano, com a Utopia de fim de ano.

Não vou repetir o que disse nesse texto, mas esses desejos mantêm-se.

No fim do ano passado prometeram-nos ser o último em que teríamos uma grande dose de austeridade; disseram-nos que em 2014 seríamos aliviados da enorme carga fiscal e estamos a ver, agora, o ano novo comprometido com “penas” mais pesadas ainda e sem perspetivas de fim à vista.

De repente, vem-me à lembrança uma conversa entre duas personagens de um livro, pai e filho, em que o pai dizia ao filho que, para ele, apenas existia um pecado, que é roubar; qualquer outro era uma derivação deste. E o filho retorquia, perguntando se matar não era pior que roubar. Ao que o pai explicava que matar não é mais que roubar a vida a alguém, era roubar um pai ou uma mãe aos seus filhos, ou um filho ou filha a seus pais, ou uma esposa ao marido, etc. E continuava a dar exemplos, afirmando que quando se mentia se estava a roubar a alguém o direito à verdade, ou estar a roubar a alguém o direito à justiça…

Tal como a generalidade dos Portugueses, eu sinto-me roubada:

  • Roubam-nos os salários ou as pensões e, a alguns, o próprio trabalho;
  • Roubam-nos o direito de saber a verdade, sempre com promessas vãs, que depois se concretizam ao contrário do anunciado.
  • Roubam-nos a saúde, piorando as nossas condições de vida e retirando a assistência que qualquer ser humano merece;
  • Roubam-nos o direito à educação quando não permitem aos pais terem tempo para os filhos;
  • Roubam aos professores as condições para lecionarem de acordo com as boas práticas aprendidas;
  • Roubam-nos a esperança de poder ter algum conforto na velhice, quando vemos os cortes que fazem nas pensões, na saúde, nos apoios sociais aos mais vulneráveis.
  • Roubam-nos a expectativa de sermos um país melhor, quando vemos que parte dos mais habilitados estão a emigrar porque Portugal não lhes dá condições para realizarem os seus sonhos.

Espero que o futuro se revele melhor que as expectativas, e que a alegria do momento da passagem do ano perdure nos 365 dias seguintes.

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  1. Força KETA!.. Continua assim sempre lutadora e reivindicativa……

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