Novo Ano

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Ano_Novo

Embora me sentisse um pouco adoentada, distraíram-me com karaoke até  à passagem de um ano para o outro.

Tinha preparado um “jantarinho melhorado”, como aliás faço todos os anos, para podermos despedir-nos do ano velho com a certeza e a graça de lhe termos sobre(vivido).

Aliás, penso que devemos valorizar o “enterro” do ano que termina, porque isso significa que conseguimos ultrapassá-lo, apesar das dificuldades, dos sonhos perdidos ou encontrados, das pedras ou das flores que encontrámos no caminho, dos amores e desamores que nos bateram à porta, das mortes ou das vidas que chorámos ou enaltecemos… de tudo!

Temos tendência a celebrar a entrada de um novo ano, com a esperança de que haverá mudanças (para melhor), de que rescreveremos a nossa história nesse ano vindouro que tudo nos promete, mas que, normalmente, pouco ou nada de novo nos traz.

Nunca faço projetos para o futuro e também, na hora de comer as passas, não sou capaz de desejar coisa nenhuma… atrapalho-me a ouvir as “badaladas” e não consigo meter na boca uma passa de cada vez e, em simultâneo, pensar no que quero obter no ano que começa.

Por isso, o tempo vai passando e a única coisa que tenho feito, é mesmo deixá-lo passar, adaptando-me aos seus revezes e aproveitando as coisas simples que vão acontecendo (quando acontecem).

Há pessimistas, otimistas… e os outros; eu pertenço aos outros, à classe daqueles que procuram encontrar algum equilíbrio no desequilíbrio da vida, algum sentido naquilo que parece não fazer sentido nenhum; altero o que posso, quando posso e se posso alterar; aceito o que não posso mudar…

A entrada de um ano novo, para mim, é sempre uma mescla de alegria e de tristeza, de esperança e de medo…

E que pena, não poder mandar pela janela fora as minhas dúvidas e incertezas, as minhas angústias, os meus problemas e todas as más lembranças que, às vezes, me ensombram os dias…

Hoje sei que ainda tenho família, ainda tenho casa, ainda tenho emprego, ainda tenho amigos, ainda tenho cidade, ainda tenho país…

O futuro é sempre uma incógnita.

Celebro, por isso, a despedida do ano velho e, num tempo sem esperança, procuro inventar o sonho e acreditar que, este ano, estou novamente pronta a lutar pela vida, como sempre tenho feito.

 

8 Comments

  1. Salvininha

    Gostei particularmente desta partilha. Afinal sinto um pouco o mesmo, aquilo que tão bem transformaste em palavras! Também faço parte dos “outros”…
    O que importa é saborear os (melhores) momentos, refletir sobre o que fazemos e como agimos, perceber como melhorar ou como nos podemos sentir melhor, estar com os outros, …

    Beijinho grande

    • Obrigada Joaninha, por teres passado por aqui. Quando chegarmos ao fim, vamos poder fazer o balanço do ano e perceber se nos marcou (ou não). Espero que, se nos deixar marcas, sejam de amor e não de dor. De qualquer forma, cá estamos para enfrentar o que vier, quando vier e como vier. Um beijo.

  2. Ano Novo ou Ano Velho, o certo é que é sempre tempo de viver. E viver é fazer história, é dizer: estive aqui! Feliz 2014, minha querida!

    • Foi isso mesmo que eu quis dizer, Betty: estive aqui e estou aqui para o que “der e vier”. Podemos dar as “boas vindas” ao novo ano, mas a sua avaliação só será feita no fim. Aliás, segundo a lei de Murphy, só descobrimos a melhor forma de fazer um trabalho, quando o trabalho estiver pronto. Beijinho

  3. “O futuro é sempre uma incógnita”
    É verdade amiga… ele é sempre o “desconhecido”., nunca sabemos o que aí vem.
    Gostei, como tenho gostado de todos os teus artigos… amiga tu és realmente fantástica e é como os teus admiradores “Malanjinos” dizem… tens uma memória “singularmente prodigiosa”… eu tb concordo. Beijinhos

  4. Foi bom reencontrar-te ontem e muito agradável a conversa.
    Bom ano para ti.

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