Once Upon a Time in America

| 0 comments

A obra cinematográfica de Sergio Leone, realizador, produtor e argumentista italiano, é associada a um determinado género de filmes, os Western Spaghetti. Ao longo da sua carreira, presenteou-nos com obras-primas que perduraram no tempo até aos dias de hoje. É impossível esquecer a trilogia — A Fistful of Dollars (1964) — For a Few Dollars More (1965) —The Good, the Bad and the Ugly (1966). Muitos foram aqueles que viram em Leone uma inspiração, como é o caso de Tarantino.

Leone deixou uma marca indelével no universo da sétima arte! Mas seria redutor falar da genialidade de Leone apenas pelos seus Western Spaghetti. Sem ele jamais teriamos Once Upon a Time in America… um dos filmes mais brilhantes, geniais, sublimes, arrebatadores (os adjectivos revelam-se insuficientes!) de que há memória.

Só uma pessoa extraordinária conseguiria construir uma história sobre a Máfia Judaica (num retrato fiel da sua ascensão e subsequente queda) numa perspectiva emotiva de tal forma intensa que quase sucumbimos perante este turbilhão de sentimentos. Porque é disto que se trata. Once Upon a Time in America é, acima de tudo, uma elegia ao amor e à amizade… mas Leone mostra-nos também como a ambição e a atracção pelo poder leva o Homem a cometer alguns dos pecados mais sórdidos…

Uma estória sobre a amizade entre quatro rapazes de ascendência judaica, oriundos de uma classe social baixa, com vivências similares. Este “jovem” gangue começa por cometer pequenos delitos nas ruas de Lower East Side, em Nova Iorque. Mas, com o passar dos anos, estes pequenos delitos cedo se transformarão em crimes com outra dimensão. A trama decorre entre as décadas de vinte e cinquenta atravessando o auge da Lei Seca.

Mas o principal foco de atenção de Leone é a forte ligação que une dois dos quatro amigos e o seu percurso ao longo de cerca de quatro décadas, David Aaronson — “Noodles” (Robert de Niro) e Maximillian Bercouicz — “Max” (James Woods). E é precisamente na Era em que Máfia Judaica assume uma grande força que esta amizade irá sofrer consequências devastadoras nas suas vidas. Uma odisseia desde a infância até ao período em que a idade da inocência há muito desapareceu.

Se por um lado, Max é o mais racional e calculista, Noodles é mais ingénuo e deseja apenas o amor eterno da sua paixão de sempre, Deborah. Uma das cenas mais comoventes do filme é o momento em que Noodles (ainda miúdo) “espreita” Deborah a dançar ballet (Deborah sabe que está a ser observada). Não é fácil descrever a beleza e a ternura desta cena. O tempo pára…o olhar envergonhado de Noodles, contemplando a sua amada… Deborah, com o seu ar etéreo, dança com delicadeza e candura… as expressões de ambos são de tal forma genuínas que é impossível não nos comovermos até às lágrimas.

E este é o momento para introduzir um dos elementos mais importantes desta narrativa. Enio Morricone, através das suas composições, oferece-nos momentos de uma beleza transcendental. Ao longo do filme, Leone filma diversas sequências de imagens em que a música de Morricone surge como “pano de fundo”. O resultado é magistral! Momentos de pura poesia que nos devoram a alma!

Sergio Leone é notável na forma como filma cada segundo, cada minuto, com uma perícia espantosa, digno apenas de uma minoria. Atrevo-me a afirmar que este cineasta atingiu a perfeição com Once Upon a Time in America.

Com um elenco de luxo, Once Upon a Time in America é uma obra de arte que merece ser vista vezes sem conta.

Optei por não incluir o trailer porque tinha que partilhar três das cenas que mais me marcaram (nenhuma delas reveladora da história) pelo seu simbolismo, pela sua extraordinária beleza, por uma angústia que nos inquieta, comove e nos leva ao limite das nossas forças… É imposível ficar indiferente!

 

Deixe uma resposta

Required fields are marked *.