Parti os óculos

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oculosHoje a minha caneta não me chama. Olho para ela e oiço-a dizer-me, naquele silêncio que pesa: deixa-me sossegada, porque não me apetece falar por ti!

Procuro outra solução: sento-me aqui, em frente a este ecrã de computador e procuro no teclado as letras certas para escrever um texto. Suavemente pressiono as teclas, que parecem também não querer dizer nada. Resigno-me! Qualquer objecto de escrita é inútil se inútil nos sentimos.

Caí e parti os óculos; sem óculos, por incrível que pareça, não oiço; sem óculos, não penso! Até parece que no escuro não há ideias… então, quantas vezes fecho os olhos para pensar melhor? O escuro pode ser a luz! Mas há muitas formas de escuro: o escuro do medo, o outro do silêncio, o outro dos amantes, o outro do roubo, o outro da calma, o outro do outro que parte, o outro do outro que se sente, o outro do outro que não existe, o outro do outro que chora, o outro do outro que se ilumina, o outro do outro que se apaga…

Pois… no escuro existe palavra e também existe luz! Hoje, dentro de mim? Não!

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  1. Mas que desencanto, hoje, minha querida Amiga. Sei que é uma pessoa que com ou sem óculos, tem sempre Luz. Beijinhos. Estou á espera da encomenda que falámos em casa do Miguel.

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