É ou não é?

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choroA tristeza e a alegria são dois sentimentos opostos, embora possam terminar da mesma maneira: no choro. Ambas as situações são naturais, tão naturais que nem sequer as estranhamos. O que é que nos traz aos olhos as lágrimas que exprimem sentimentos tão distintos? Porque será que os olhos choram quando deviam sorrir? E porque se riem com vontade de chorar?

As lágrimas, essas gotas de água salgada que nascem nos olhos, não são pertença dos olhos, são manifestações da alma; os olhos só as criam para as poderem libertar.

Os olhos, essas esferas complexas e maravilhosas, que nos permitem ver o mundo, são os tradutores do que sentimos. Para cada momento, há sempre um olhar que fala, sem precisar de palavras.

Os olhos veem para fora, mas mostram o que está dentro; eles reconhecem, guiam, orientam, dão cor e beleza ao mundo, exprimem afectos e desafectos, podem ser doces ou amargos, melancólicos ou sorridentes, malandros ou admirados, ardentes ou tristes, surpresos ou inquiridores, encantados ou fugidios, conquistadores ou assustados, brilhantes ou mortiços, apaixonados ou frios, de desejo ou de desprezo, vadios, enganadores, frustrados ou vazios.

E se os olhos interagem com o cérebro, onde residem os afectos? Que cadeia de transmissão é essa, que nos entra pelos olhos, se toca com as mãos, se saboreia na boca, se cheira pelas narinas e se escuta nos ouvidos?

Tudo é percepcionado no emaranhado da nossa massa cinzenta, que distribui sensações; tudo o resto é transparência… ou opacidade!

Não é?

2 Comments

  1. O olhar encerra um sem número de emoções e não permite fingimentos. Olhar é sinónimo de verdade. Belíssimo artigo, Salvina.

  2. Sim!.. …para cada momento há sempre um olhar que fala…
    (Já que agora ninguém fala para o nosso BLOG)…………..

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