“Canção para a minha mãe”

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Quero que saibas, mãe, que se não fosses tu, jamais teria chegado aqui. Roubei o título desta dedicatória a Miguel Torga. Sei que não iria importar-se se soubesse que estas palavras são para ti.

Não quero falar do passado porque não quero relembrar o teu olhar sempre triste que te acompanhou, desde que me lembro de ti.

Protegeste-me, embora não queiras admitir, de um forma como só uma mãe sabe fazer. Percorreste um verdadeiro calvário. Deus, se existe, perto de ti, foi um abençoado. Em silêncio, vivias, sem queixumes, sem lamentações. E tiveste tanto a lamentar! Por vezes, questiono-me se serás real. Perseguida por uma culpa que te devorava a alma, quando afinal foste tu sempre a única inocente.

Entre nós existiu apenas cumplicidade e amor. Um amor incondicional que se revela em todos os segundos da nossa existência.

Serás para sempre aquela que me irá reconfortar quando estou triste;
Serás para sempre aquela que me fará rir das graças que só nós achamos graça;
Serás para sempre aquela que me confrontará com a verdade;
Serás para sempre aquela que me irá amar até ao final dos tempos;
Serás para sempre aquela que irei amar até ao final dos tempos.

4 Comments

  1. Gostei, e senti!. Todo o passado da nossa mãe é um aconchego. Todo o presente é um vazio. Todo o futuro é sabermos que está cá dentro.

  2. Que lindo texto, Margarida. Esta canção demonstra bem a tua voz interior… e é bela, é humana, é amorosa, é grata. Obrigada pela partilha e ainda bem que existem filhas como tu. Um beijo cheio de afecto para as duas.

    • Quando se trata da minha mãe, as palavras revelam-se insuficientes. Esta é também a sua realidade! É a minha vez de dizer “ainda bem que existem filhas como a Salvina”.

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