Urge o silêncio…

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A propósito do último artigo da Salvina, atrevo-me a acrescentar que “Ser velho” é também sinónimo de sapiência.

O meu avô, com o sentido de humor que lhe era característico, costumava utilizar uma expressão “Lá está aquele a botar faladura”. Lembrei-me das suas sábias palavras porque nunca fizeram tanto sentido nos dias que correm. Toda a gente tem sempre algo a dizer, algo a acrescentar. O tom é sempre o mesmo. O discurso bem ensaiado. Adoram ouvir-se, não tendo sequer a percepção que ninguém os quer ouvir. Oh gente cansativa… urge o silêncio!

Uma das cenas mais marcantes no filme Cinema Paradiso é o diálogo entre o “velho” Alfredo e o “pequeno” Salvatore (Toto). Uma “imagem” de uma densidade humana que nos deixa literalmente sem ar!

Alfredo: “Living here day by day, you think it’s the center of the world. You believe nothing will ever change. Then you leave: a year, two years. When you come back, everything’s changed. The thread’s broken. What you came to find isn’t there. What was yours is gone. You have to go away for a long time… many years… before you can come back and find your people. The land where you were born. But now, no. It’s not possible. Right now you’re blinder than I am.”

Salvatore: “Who said that? Gary Cooper? James Stewart? Henry Fonda? Eh?”

Alfredo: “No, Toto. Nobody said it. This time it’s all me. Life isn’t like in the movies. Life… is much harder.”

 

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  1. Urge o silêncio, resta o silêncio?….

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