Navegar

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É um facto que nas viagens ao passado encontramos momentos que nos marcaram de uma forma indelével… outros, nem tanto. Tento encontrar motivos para me fazerem acreditar que um dia, noutro tempo, noutra era, existiram sonhos… e quis o destino que esses sonhos se cumprissem… e esses sonhos, esses pequenos grandes nadas, inundaram o meu pequeno mundo com brilho. Mas, como existe o reverso da moeda, nem sempre foi assim…

Tenho saudades do tempo em que as pessoas tinham coluna vertebral;
Tenho saudades das gentes boas da minha terra… por onde andarão?
Tenho saudades do tempo em que o meu ofício era exactamente o meu ofício;
Tenho saudades do tempo em que a realidade se confundia com a ficção, tal era a felicidade que me esmagava e me fazia sentir imparável… não importavam os obstáculos, acabava sempre por superá-los;
Tenho saudades dessa força que existia, sem me dar conta.

Perdida, uma vez mais, nas minhas deambulações, sonho que, nos raros momentos de lucidez, essa força estará ainda algures por aqui, mesmo que escondida e envergonhada. Talvez seja chegada a altura de navegar.

“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo…”
― Álvaro de Campos

foto_navegar

photo © Jenna Westra

 

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