As pedras da gruta

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Pedras grandes,
Amontoadas
De velas e rezas regadas
Pedras de culto, sagradas.
Pedras sobre pedras
Juntas, ligadas, encaixadas,
Feitas altar
De pedir, de dar
E de rezar

Meus pés descalços
Subiam pedras,
Pedras no tempo,
Do outro tempo
que já passou
Tempo acabou
Tempo não há
Pedras morreram
Ou não estão lá.

Ó velhas pedras
Da minha infância
Onde estareis
Pedras sagradas?
Que vestes tendes,
Tão renovadas?

Nós somos novas
Aqui plantadas
As outras pedras
já cá não estão,
Tempo as levou
Não voltarão

Ó pedras nuas
Por onde andais?

Respondo eu
pelos meus parentes
Daquele chão sobreviventes:
Somos raiz
Da estrutura
As outras pedras
Não tinham cura.
Fomos feridas e ofendidas
Pelos homens esquecidas,
Pelos anos destruídas.
Fomos vestidas
Travestidas,
Alisadas,
Polidas…
E retiradas das vossas vidas

Tempo acabou
Tempo não há
Muitas morreram
Já cá não estão.
Daquelas pedras
Daquele chão
Só resta agora
Recordação.

3 Comments

  1. As pedras se gastam com o tempo. Nós muito mais!
    Tenta construir com elas, uma muralha, um canteiro de flores, ou até um castelo…….

  2. Adorei o poema Salvina! É lindo e profundo. Beijinhos

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