American Beauty

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American Beauty é o primeiro filme da obra cinematográfica de Sam Mendes com uma estreia em grande no universo da sétima arte. A forma como transforma uma história vulgar numa obra-prima é simplesmente magistral. Não é para todos!

A narrativa centra-se numa família típica da classe média (um casal com uma filha adolescente) em busca do tão apetecido sonho americano. Mas rapidamente o espectador se apercebe que esta realidade não passa de uma ilusão, desconstruída de uma forma sublime por Mendes que é certeiro na forma como aniquila o jogo de aparências que prolifera numa sociedade cínica, onde o que mais importa é parecer em detrimento do ser.

E é através desta panóplia de elementos que surge uma família que será o tema central do filme através do casal Lester Burnham (Kevin Spacey) e Carolyn (Annette Benning) e, por último, a filha, Jane (Thora Birch). A câmara vai acompanhando, sob o olhar astucioso de Mendes, as primeiras palavras de Lester enquanto narrador desta trágica história:

“My name is Lester Burnham. This is my neighborhood; this is my street; this is my life. I am 42 years old; in less than a year I will be dead. Of course I don’t know that yet, and in a way, I am dead already. Look at me, jerking off in the shower… This will be the high point of my day; it’s all downhill from here.”

Este início indicia, de imediato, que estamos prestes a mergulhar num mundo perverso, com grandes contornos de malvadez, com os nossos níveis de ansiedade a revelarem-se elevados, uma vez que percebemos esta será uma narrativa envolta em mistério, traição, perfídia, à semelhança de uma obra digna de Maquiavel.

Lester é um homem de meia-idade, com um emprego vulgar numa seguradora, sem qualquer tipo de ambição profissional, desprezado pela mulher e pela filha. Por seu lado, Carolyn, vendedora imobiliária, é a encarnação pura e dura da mulher fútil, sem escrúpulos que se deixa seduzir facilmente pelo dinheiro e pelo poder, num eterno jogo de vaidades, não olhando a meios para obter tudo o que deseja a qualquer preço. A filha, Jane, sai completamente fora dos padrões da normalidade, utilizando todas as armas que tem ao seu alcance, numa espécie de combate sem tréguas à vista, com um único objectivo: destruir os bons costumes e ideais de beleza que os pais aspiraram para a sua vida. O ódio da adolescente pelos pais é uma constante na sua existência.

Os seus vizinhos, os Fitt, são peças fundamentais nesta trama. O pai, o coronel Fitts (Chris Cooper), é um militar na verdadeira acepção da palavra. Oriundo da antiga escola americana conservadora é um homem austero, inflexível, severo e homofóbico. Barbara (Alison Janney), a sua mulher, cuja característica central reside na sua obsessão em arrumações e Ricky (Wes Bentley), o filho do casal, um ser esquivo, com um estilo de vida acima da média, uma vez que trafica droga. Obervamo-lo a filmar Jane grande parte da narrativa. Mais uma família em que nada é o que parece ser… as aparências a levarem, também neste caso, a primazia.

American Beauty, como referi, é uma obra-prima. Uma sátira ao estilo de vida americano numa crítica mordaz e inteligente com um elenco absolutamente notável.

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2 Comments

  1. Muito obrigada, Miguel. Este é um dos filmes da minha vida!

  2. Descreveste de maneira magistral a essência da obra!…

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