No jardim

| 3 Comments

img_1092Procuro um banco para me sentar. No primeiro está sentado um casal de namorados que, alheio a tudo o resto, se beijam repenicadamente como dois passarinhos a arrulhar. No próximo estão sentados dois rapazes à conversa. A seguir uma rapariga chinesa, entretida a falar ao telemóvel. Está ali um banco vazio. Vou para lá! Mas… alguém chegou primeiro do que eu… já está ocupado.

Continuo a ronda. Um dos rapazes descalça a bota. Sacode-a. Acho que tinha uma pedrinha lá dentro. O casal levanta-se. Vou para lá! Há uma réstea de sol neste banco. É bom!

Os bancos são corridos. De ripas. Verdes como as árvores. Um pouco estragados. Ao meu lado, na outra ponta, senta-se um rapaz. Pega no telemóvel. Arregaça as mangas.

Olho ao redor. Não há muros. A vedação do jardim é feita com arbustos. Agora reparo que foram podados. Os canteiros estão sem relva. Foram demasiadamente pisados. Bom… há um onde ainda resta alguma ervinha miúda.

Passam dois homens: um com uma enchada ao ombro e outro com uma tábua enorme às costas. São interpelados por uma mulher, provavelmente colega, a quem dizem que estão “a matar o trabalho”. Seguem o seu caminho. Passa um homem forte, vestido de fato e gravata.

Não cantam os pássaros. O sons que oiço são: passos, vozes, roncar de carros e de motas.

Vou-me embora!

3 Comments

  1. Há dias assim. Apetece-nos fugir de tudo e de todos. Nada se enquadra com o nosso estado de alma. Gostei, Vina. Como sempre gosto de tudo aquilo que escreves.

  2. Neste texto «poema», (eu chamo-lhe poema)!…
    Sinto um olhar alheado, mas sempre presente a tudo o que o rodeia, que observa e se afasta na melancolia do tempo.

Deixar uma resposta

Required fields are marked *.