Mãe – Eterno Amor

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– eu já sou muito velhinha – dizias para surpreender [eras uma menininha]
– E que idade a senhora tem? -perguntavam-te
– Já tenho oitenta e dois – respondias
– Oitenta e dois, mãezinha? – Observava eu
– Não! Espera aí – e corrigias – já tenho no-ven-ta… noventa e dois.
– Ah! Mas a senhora está muito bem. Nem parece ter a idade que tem [exactamente o que querias ouvir]
– Graças a Deus ainda sou “suficiente”, ainda trato das minhas coisinhas sem dar trabalho a ninguém – dizias orgulhosa.

Muito te “exibias”, minha mãe… muito te orgulhavas de ti.

Mas sabes? Tinhas razão! Muito velhinha [para mim não eras] mas “suficiente” sempre foste e trabalho não deste.
A tua vida finou-se assim, devagarinho, como vela cansada que não espera sopro para se apagar…
Assim, devagarinho, como vento quieto e morno, que nem desarruma folhas secas no chão…
Assim, dentro de um mar prateado de águas mansas que ofuscam olhos…
Partiste nas asas duma maré que não volta.
Contudo, na ausência da tua voz até o silêncio me diz:
– Eu já sou muito velhinha!
[Não eras, não, minha mãe. Eras só o amor. E esse não envelhece, nem morre].

3 Comments

  1. Que maravilha VINA, Eu só vi a Candinha uma vez, mas bastou par perceber que era uma pessoa Doce, Meiguinha, muito educada, aquilo a que podemos chamar, UM SER SE ELEIÇÂO. O tempo vai suavizando, mas a falta e a saudade, assas ficam para sempre machucando a nossa alma. Beijinhos

  2. Como dizes na primeira parte do texto!… Era precisamente assim, o que eu convivi , o que eu senti com a Candinha.
    Candinha !… Eu… sem ti, fica a saudade e a ternura em que me envolveste.

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