O tomateiro

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Não tenho terra para fazer uma horta. Moro num terceiro andar e tenho uma varanda onde o vento bate forte e as plantas se enchem de pequenos bichos que não consigo combater. Em vasos plantei roseiras: uma vermelha e outra salmão. Dizem que as roseiras resistem a tudo… e, de facto, sou sempre presenteada com alguns botões que se abrem em pequenas rosas que me alegram os olhos.

No parapeito da cozinha, que é generoso, também coloquei um vaso, que enchi de terra. Comprei sementes de ervas aromáticas (que outras poderiam ser?) para enriquecer cozinhados. Das cinco variedades, salsa, coentros, hortelã, salva e a outra já não sei qual foi, só a salva e a hortelã germinaram. A salva nunca soube o que fazer com ela, mas a hortelã tenho-a utilizado para fazer chá.

De repente, apareceu um intruso. Que erva será esta? – perguntei-me. Não a arranquei para ver no que dava. Percebi que era um tomateiro. De onde tinha vindo?Isso já não sei! Não semeei tomates. Talvez se tenha infiltrado (des)propositadamente na água da rega. Talvez uma sementinha mais assanhada tenha teimado em sobreviver.

Não o arranquei. Deixei-o conviver com a hortelã e a salva. E ele cresceu, cresceu, cresceu. Brindou-me, depois, com algumas frágeis flores amarelas. Deixei-me rir. O tomateiro continuou a crescer e a dar-me mais flores, muitas flores amarelas.

É cheiroso. Quando lhe toco perfuma a cozinha inteira durante alguns longos segundos. Olho para ele todos os dias e penso: de onde terá saído este tomateiro teimoso, sobrevivente de águas desconhecidas? E rio-me do tomateiro; rio-me para o tomateiro.

Qual não é a minha surpresa quando, ao despir duas flores, lhe nasceram dois tomatinhos minúsculos, que se riram para mim. Ri-me com eles. Ri-me para o tomateiro que me oferecia os seus frutos. O tomateiro não pára de crescer, está tão alto, tão alto, que já se verga, para não bater no tecto.

Prometo que, se os tomates vingarem, hei-de comê-los com hortelã 🙂

One Comment

  1. Depois de tanta expectativa, e encanto que te embeveceu ao veres crescer um tomateiro que te alegrou os sentidos!…..
    Ui!… que arrepio (vou come-los com ortelam)

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