Será que vai ser mãe?

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Todos os sábados (ou quase todos) desloco-me ao mercado de Benfica para comprar frutas e legumes para a semana.

Um dia, chamou-me a atenção uma loja de produtos africanos (onde existe África, existo eu). Entrei para ver o que por lá havia. Descobri, então, que a lojinha vendia uma mistura de óleo de palma, arroz, farinha torrada, fuba, mas também paçoquinha, polvilho… e alguns produtos asiáticos que desconheço.

Reparei que na montra do balcão estavam alinhadas várias garrafinhas com jindungo (como se diz na minha terra). Algumas estavam cheias de bolinhas vermelhas (nunca tinha visto), outras de formato oblongo, umas amarelas e outras vermelhas. Encheram-me os olhos.

Comprei uma garrafinha de “Pimenta bode” (era assim que se chamavam as bolinhas vermelhas) e fui experimentar-lhe o sabor. Delícia. Comprei mais e mais e mais. Não sei se fui eu que acabei com o stock, mas o que é facto é que a pimenta bode esgotou e durante uns tempos não lhe pus os olhos em cima. Quando voltou, o preço tinha aumentado substancialmente e deixei de a comprar.

Quem conhece o mercado de Benfica, sabe que é uma estrutura redonda contornada interiormente por talhos, lojas de vestuário, padarias, floristas, cafés, etc.

Numa das floristas deparei com uma planta de pimenta bode. Bem, não seria mesmo pimenta bode, porque, embora fosse redonda, tinha um biquinho. Comprei-a. Trouxe-a para casa e coloquei-a no parapeito da janela da cozinha, para que tivesse ar e sol.

As folhas foram caindo, caindo e eu fui desesperando, desesperando. A planta estava a murchar.

Fui de férias e entreguei-a, em estado comatoso, aos cuidados de uma “flower sitter” (a minha amiga Isabel), que tem uma marquise soalheira. Ela tratou-a com um carinho especial, mantendo-a em “cuidados intensivos” e conseguiu que ela lhe oferecesse três ou quatro folhinhas. Embora frágil (mas viva) a minha plantinha voltou para casa. Ficou sob observação, mas não havia meio de deixar aquele estado de “quem está ligada à máquina”. Começou a definhar e eu a entristecer.

Quando vieram os grandes ventos e as chuvadas, tive medo de que a ventania a levasse e resolvi pô-la do lado de cá do vidro da janela, ou seja, dentro da cozinha.
Comecei a chamá-la de “minha menina” e a pedir-lhe que fosse corajosa e que se aguentasse, que sobrevivesse a todas as “agruras”. Todos os dias, várias vezes por dia, dava-lhe o meu olhar e a minha voz (a mais doce de que fui capaz). Ela começou a medrar: um dia, mais uma folha; outro dia, mais outra folha e assim sucessivamente. Tornou-se linda e acho que até já “engordou”.

Continuo com medo de que murche, mas insisto na dose diária de vitaminas de olhares e palavras.

Estou à espera do seu primeiro fruto… e de todos os que vierem.

É Primavera.

Será que a “minha menina” vai ser mãe?

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