Pardais em Lisboa

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Aguarela de Paulo Baptista Silva

Ontem, ao final da tarde, senti o pulsar de Lisboa numa esplanada da Rua dos Bacalhoeiros, junto à Casa dos Bicos (Fundação José Saramago), a beber coca-cola e a ouvir o chilrear dos pardais.

Pardais em Lisboa? Há-os aos montes. São citadinos, pois claro!

Poisam nos beirais, nos parapeitos das janelas, escondem-se em buracos e alimentam-se de migalhas. Dizem que “o primeiro milho é dos pardais”, mas olhem que não! Os sem abrigo (sejam pardais ou não) comem do que “desenrascam”, do que lhes dão, do que lhes calha (ou não) ou de migalhas de pão.

[Chilreiam os pardalitos no chão, chilreiam os pardalitos no ar, sobrevoam as mesas, poisam e voltam a voar].

Turistas vão, turistas vêm, turistas ficam, turistas falam, turistas riem, turistas comem, turistas… trânsito, tuque-tuques, motorizadas, bicicletas… engarrafamento… e os pardalitos.

Debica aqui [não há minhocas]; debica ali [não há sementes]; debica, debica [não há nada]; voa, poisa, procura, mexe, remexe, voa, poisa, procura…

Eram dois. Eu bem os vi, ouvi e compreendi: quem luta para sobreviver não dá atenção a mais nada. Sabem porquê? A fome mata… e não só pardais.

Depois de ter escrito estes pensamentos fui para a inauguração da primeira exposição de aguarelas do meu amigo Paulo Baptista. Só vos digo: valeu a pena. Parabéns, Paulo.

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