Uma flor…

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Uma flor, uma pequena flor, uma única flor, uma flor…

Olá, branca flor. Esperava-te, mas não sabia se virias. Afinal, esperamos tanta coisa que não vem…

Mas vieste.

Sabias que és linda e que quando os meus olhos te viram logo se riram para ti? Não tinha terra, daquela arejada e livre, beijada pelo sol, pelo vento, pela chuva… e onde debicam os passarinhos; daquela que vive nas hortas, nos terrenos, nos jardins ou nos quintais… daquela que vive, apesar do lixo que lhe despejam em cima; daquela que, embora maltratada, sobrevive e um dia, sem mais nem porquê, deixa-se atravessar por uma planta, uma erva, uma flor, uma árvore.

Não tinha nada disso para te oferecer (e bem gostava de ter), mas tinha um vaso e um parapeito para ti. Não te deixei só: dei-te três irmãs. São todas fêmeas… e sabes porquê? Porque as fêmeas têm o dom de se reproduzirem, de florir, de se abrirem ao mundo, apesar de todos os pesares. E tu, flor, primeira flor, pequena flor, única flor, branca flor, vieste. No teu centro tens um filho… já se lhe vê qualquer coisa. Qualquer coisa, não. É o teu fruto. Vais despir-te de pétalas; ele brotará do teu ventre [como todos os filhos] e tu, que és flor, metamorfosear-te-ás em fruto. Vermelho, vermelho vivo, vermelho sangue, vermelho vida, vermelho porque será vermelho [se amadurecer]. A tua existência, flor, será efémera [todas as vidas o são], mas ainda que efémera seja, já te dei o meu amor.

Obs: Reparem no pormenor (lado esquerdo da fotografia): está um homem (talvez jardineiro) a cuidar da terra.

2 Comments

  1. Esta da foto está bem apanhada. Eu vejo perfeitamente bem um (jardineiro) um homem. Mas; homem esse tão pequenino, comparando com grandiosidade de uma planta.
    Não tem que ser um embondeiro basta ser um morangueiro.

    • Pois é, Miguel, o pormenor do “homem” que não existe, mas está lá, é muito simbólico. Quando o “descobri” fiquei estupefacta. Obrigada pelo teu comentário. Um beijo.

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