Jindungo

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Estou a tornar-me uma agricultora, mais propriamente uma jindungueira (cultivadora de jindungo em vasos).

Para quem não sabe, o jindungo, aportuguesamento da palavra jindungu (plural de ndungo na língua quimbundo, uma das mais faladas em Angola) é uma baga pequenina e muito picante, a que erradamente (ou não) se chama: piripiri, malagueta, pimenta, picante, etc.

O meu palato afeiçoou-se ao jindungo em Malanje (a minha terra em África) quando, ainda menina, a minha mãe fazia uma boa e ajindungada moambada com dendém criado, colhido, cozido, espremido e transformado em óleo de palma lá em casa…
ou
assava uma perna de cabrito no fogareiro do quintal, que ia regando com um raminho de salsa mergulhado num molho previamente preparado com jindungo, azeite e mistérios que não sei…
ou assava o frango no churrasco
ou cozia o camarão
ou fazia mão de vaca com grão.

Em tudo, punha-se sempre jindungo madurinho que apanhávamos na nossa horta: os pretos estavam verdes, os amarelos a pintar, os laranjas quase maduros e os vermelhos no ponto.

“O que arde cura” dizia-me a minha mãe quando me despejava álcool sobre uma ferida qualquer.

Agora, arde-me a vida, mãe. Preciso que o teu jindungo me arda na boca, mas me aqueça o coração.

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  1. Para que a vida não te arda com tanto jindungo, experimenta misturar um pouco de mel. (Olha que combina muito bem)

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